O Nome do Pai

March 19, 2019

 

 

 

 

Recentemente a imprensa de Franca publicou que mais de 2 mil jovens entre 14 e 16 anos não possuem o nome do pai nas certidões de nascimento. Nesses documentos o genitor é registrado como “desconhecido”.

         

Como assim, não têm pai biológico? Nasceram por partenogênese, sem o auxílio de um homem?

Claro que não.

          

São filhos que, por várias razões, não foram reconhecidos por seus progenitores, esses que agora estão sendo chamados à Justiça para cumprir com essa obrigação elementar: ‘pôs no mundo, então terá de chamar de seu’. Simplificadamente, é isto que os dispositivos legais enunciam e agora tentam fazer cumprir, ainda que tardiamente.

          

 Iniciemos essa discussão exatamente pela questão do nome. O nome-do-pai (nom-du-père) é uma expressão cunhada pelo psicanalista francês Jacques Lacan na tentativa de abranger a função paterna. Numa sociedade patriarcal é o pai quem nomeia, dá o seu nome ao filho e, por meio desse ato permite à criança a aquisição de uma identidade: dar nome às coisas e às pessoas é próprio do ser humano e marca de maneira categórica o lugar e relação do indivíduo com o mundo. No nome está a marca da ancestralidade, da origem.
          

Ao oferecer ao seu descendente uma designação que seja sua também, o pai encarna a lei que regula a autoridade, os laços sociais e as identificações. No exercício da nomeação, a função paterna permite à criança adquirir uma significação ao desejo de quem a concebeu e a recebeu: ela pertence, ela faz parte.         

 Para a pesquisadora da Unicamp Cláudia Aparecida de Oliveira Leite “os nomes próprios incluem marcas indeléveis da história, apontam para os desdobramentos subjetivos e relacionais e trazem as marcas da cultura”.

           

É a partir desse legado paterno e de seu registro que a criança se diferenciará em meio ao real, simbólico e imaginário, absorvendo-se de alguma forma nesta nomeação que ele permite. A aposição de um nome diz respeito a todo um sistema de simbolizações muito importantes para a vida psíquica de uma pessoa.

 

Modelo

 

            

Outros aspectos muito falados em psicanálise, no tocante à figura paterna durante o desenvolvimento infantil se ligam ao modo como a criança se identifica com o pai. Essa maneira difere entre meninos e meninas. É na relação com o pai, por exemplo, que a menina aprenderá a se ligar (ou não) ao sexo oposto. Para o menino, o pai significa essencialmente o ‘espelho’, o projeto acabado do que ele almejaria (ou não) se tornar: conforme os gestos paternos, o menino tentará imitá-lo ou se tornar o oposto do que é esse pai, dentro do que, para a criança, significa toda a masculinidade.

            

Maternidade e paternidade são muito complexas para serem resumidas num artigo de jornal. Essencial é reconhecer a importância do pai na vida das crianças, desde a imputação de um nome. Cabe a ele estar atento no que diz e faz diante de seus filhos. Para eles, o papai é, a princípio, uma espécie de Deus!

             

Na relação com a criança, a figura parental se aplica da mesma forma para o seu substituto, para aquele que cuida da criança exercendo integralmente o papel do pai - na psique, a representação da “coisa” é tão ou mais valiosa do que a própria “coisa” em si e o inconsciente não reconhece as determinantes biológicas e sim as afetivas e sociais.

Se você é pai adotivo, padrasto se é o tio ou o avô, a figura masculina que exerce a paternidade na ausência do progenitor, tudo isso se aplica a você também.

          

Ao pai está reservado o papel de cuidador, de provedor, de protetor, jamais o daquele que violenta física ou psicologicamente o seu filho. Esse filho, carne da sua carne, ou um filho que a vida lhe ofereceu para ajudá-lo a se transformar num adulto, não é, não pode ser jamais objeto de gozo perverso. Você o destruirá e, por extensão, se destruirá também se não compreender que ele não é você nem é seu para uso e desuso. Uma criança não tem força nem discernimento para resistir às investidas de alguém que para ela é tão poderoso e representa tanto quanto o seu próprio pai.

 

Mais

      

         

Melhor ficar marcado na existência de alguém como aquele que lhe ofereceu um nome, uma base e instrumentos para enfrentar a vida do que como aquele que (muitas vezes também pela indiferença) destruiu parte de sua infância e interferiu em seu futuro.   

                       

 Pense nisso quando receber de seu filho ou filha o presentinho de Dias dos Pais que ele (ou ela) passou semanas preparando na escola especialmente para você.

 

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