O que é hipnose?

May 11, 2018

 

 

 

Assunto que tem sido discutido pela novela da Globo “O Outro Lado do Paraíso”, a hipnose é tema que fascina por demonstrar o quão poderosa pode ser a mente humana.                                                       

 

Termo cunhado em 1754 pelo médico escocês James Braid, numa alusão ao deus grego do sono Hypnos, o estado hipnótico, contudo, não se associa a sono e sim a um nível mais profundo da consciência, chamado por uns subconsciente e, por outros inconsciente.                       

 

O que se tem hoje é que hipnose é atravessar o fator crítico da consciência e implantar uma sugestão aceitável pelo subconsciente. Desse modo, trata-se de uma ferramenta de grande amplitude na aplicação terapêutica.                                                                                              

 

A psicóloga clínica Vanessa Maranha, que atua na área da hipnoterapia concedeu entrevista ao Comércio para falar sobre esse tema instigante.                  

 

 

Numa rápida pesquisa pelo Google é possível encontrar várias definições para o termo hipnose. Mas, de forma simples, o que é hipnose?

Hipnose é um estado alterado da consciência que pode ser induzido por relaxamento profundo e em que a atenção focada e periférica são reduzidas, de modo a que se tenha acesso a camadas mais profundas da consciência, inclusive com metas terapêuticas.

 

Em termos gerais, para que a hipnose serve?

É uma intervenção psicológica muito útil como coadjuvante no tratamento de uma ampla variedade de doenças físicas e psicossomáticas, como controle da dor (analgesia e anestesia), nos transtornos do humor (ansiedade, depressão, distimia etc); nas fobias, em questões comportamentais, entre várias outras aplicações. A hipnose pode ser considerada a precursora das psicoterapias, tendo sido praticamente o ponto de partida de Freud no estudo da histeria, para o desenvolvimento da Psicanálise. Mas foi utilizada pela primeira vez como intervenção clínica em 1754, pelo escocês James Braid.  

 

Quanto tempo de hipnose é necessário se fazer para se “resolver” um problema?

É uma intervenção rápida de, no máximo, 3 sessões, a depender do caso. Importante dizer que a hipnose é uma ferramenta potencializadora de outros tratamentos, sua efetividade é mensurável pelo próprio paciente, mas não pretende destituir nenhuma proposta terapêutica em curso.

 

A hipnose é um tratamento em si ou é um complemento à terapia? Ela é uma terapia cara?

A depender do diagnóstico, é um poderoso complemento à terapia. Em questões comportamentais mais leves, pode ser efetiva por si só. O que é uma terapia cara? Caro é aquilo que não traz resultados, que não soluciona.

 

Com relação a tratamentos de problemas físicos de saúde (dores, por exemplo) a hipnose pode ajudar?

Muito! Todas as áreas da Saúde se beneficiam imensamente do que a hipnose pode oferecer, em inter ou multidisciplinaridade. Tanto que é uma prática regulamentada pelos Conselhos Federais de Medicina, Odontologia, Fisioterapia, Psicologia.

 

Como é feita a hipnose (aquela imagem que temos do hipnotizador segurando um pêndulo, é real?

Hoje temos uma variedade de técnicas de indução. Essa imagem do pêndulo ou do relógio de bolso é a técnica da fixação do olhar retomada por Auguste Liébault para produzir transe hipnótico e é ainda utilizada, sim.  Mas há várias outras formas mais rápidas e simples de indução com aprofundamento hoje em dia.

 

Como fica a pessoa que é hipnotizada? Ela fica “acordada” ou seria mais como um “sonâmbulo”? Existem níveis de consciência. Em estado hipnótico o sujeito não está dormindo, mas também não está em vigília, nesse momento o seu fator crítico está reduzido embora esteja absolutamente consciente de tudo o que ocorra ao seu redor. Em hipnose, o sujeito fica suscetível a sugestionamentos e é aí que a hipnoterapia acontece; o profissional que conduz precisa ter habilidade na construção de metáforas e sugestões (a partir de dados da linguagem, durante a anamnese) que sejam importantes para a sua queixa, de modo a buscar, conjuntamente, a quebra de padrões e, digamos, buscar a reprogramação de suas questões mais profundas.

 

O que ela sente? Ela tem consciência da hipnose durante a sessão? E, depois que acaba, ela se lembra do que foi dito ou feito?

Em geral é uma sensação de muito bem-estar. Quando ocorre ab-reação, ou seja, uma descarga emocional que libera o afeto ligado à lembrança de um trauma, o paciente revive o evento traumático e pode chorar, ficar agitado, mas, a sensação subsequente é de leveza, libertação, compreensão. O nível de consciência é reduzido, mas durante a sessão o paciente sabe que está passando por um procedimento e se lembrará de tudo o que foi dito e feito.

 

Durante a sessão, a pessoa pode falar coisas que não falaria em “total consciência”?

 Importante salientar que a hipnose não atravessa a consciência, ou seja, qualquer sugestão que vá contra os valores do sujeito será imediatamente rechaçada e o levará ao estado de vigília. Mas é possível que a pessoa diga coisas nesse momento que talvez não dissesse em outra circunstância, material recalcado, “esquecido”.

 

 

Quanto tempo dura os efeitos de uma sessão de hipnose?

Para alguns casos como fobias, os efeitos são permanentes, porque com a hipnose, é possível acessar os gatilhos, as causas dos sintomas, compreender as associações que a geraram. O sintoma é só a ponta do iceberg. Na medida em que se acessa e se ressignifica, esse material perde sua carga tensional. Mas é preciso avaliar cada caso individualmente, não se pode vender a ideia de hipnose como panaceia para todos os males, ainda que seja impressionantemente eficaz.

 

E no caso de soluções de situações crônicas, como, por exemplo, a hipnose para combater o hábito de fumar? Por quanto tempo a pessoa fica “livre” do hábito?

É preciso que fique claro que a hipnose não opera mágicas. Aliás, essa prática sempre foi confundida com misticismo e ocultismo por seu caráter misterioso  (somente no século XX é que a ciência começou a explicar esse fenômeno, até então, sua base era meramente empírica). Por essa razão, a hipnose ficou estigmatizada como prática de palco e magia, embora a sua descoberta tenha se dado, lá atrás, no campo das ciências médicas. Há pesquisas científicas e relatos de casos de muito sucesso no tratamento do tabagismo e dependências químicas tendo a hipnose como ferramenta coadjuvante. Mas, obviamente, o sujeito precisa querer a mudança, aceitá-la.

 

Qualquer um pode ser hipnotizado? Crianças, também?

O que se tem estatisticamente é que 98% da população é hipnotizável, os 2% que compõem o grupo de não suscetíveis à hipnose e aos quais essa terapêutica não é indicada são pessoas com transtornos mentais severos e déficits cognitivos que os impede de entender as instruções. Indução hipnótica é basicamente se deixar conduzir, seguir instruções. Na realidade, toda hipnose é auto-hipnose. E sim, crianças e adolescentes podem ser hipnotizados.

 

É verdade que se a hipnose for interrompida bruscamente pode ser perigoso para o paciente?

Não é aconselhável que se interrompa o processo hipnótico abruptamente porque ocasionará um estado de alerta e susto desnecessário no paciente, na passagem abrupta de um estado de consciência para outro e ele pode permanecer temporariamente (coisa de minutos) em looping.

 

Há risco de uma pessoa “não voltar” da hipnose?

 

Mas “não voltar da hipnose” é um mito. Não há o risco de não voltar porque a pessoa não foi a lugar nenhum. Esse “não voltar” diz respeito a pessoas que sentem tal estado tão prazeroso, que resistem em emergir. Mas o hipnoterapeuta sabe como conduzir rapidamente, com 3 palavras, aquele que não queira emergir. Não. Não há riscos.

 

 

O que é regressão?

Em hipnose é o equivalente à catarse na psicanálise, o retorno ao acontecimento traumático e suas associações que mantêm os sintomas. É voltar à causa.

 

É, realmente possível descobrir informações sobre um crime, por exemplo, cuja lembrança esteja “adormecida” na memória da vítima ou da testemunha?

O psiquiatra Milton Erickson trabalhou nessa área forense com sucesso. Do ponto de vista conceitual de toda a especificidade do que é capaz a hipnose, sim, é possível acessar informações impressionantes. Mas eu me atenho aos estudos é à prática clínica, com fins terapêuticos, somente.

 

A terapia costuma levar ao autoconhecimento. A hipnose também ajuda nesse processo? De que maneira?

Sim, totalmente! Em todo processo de psicoterapia há o momento em que a caminhada parece se lentificar, ficar travada, eventualmente encravada no que psicanaliticamente chamamos resistência. A hipnoterapia trabalha justamente aí, de modo a potencializar muito e fazer progredir o andamento.

 

Qualquer pessoa pode praticar a hipnose? Quais os riscos dela ser praticada por alguém não devidamente habilitado?

Existem pessoas com muita habilidade para a indução hipnótica, não necessariamente profissionais da saúde.  Em termos legais, qualquer pessoa pode aprender a hipnotizar, mas a questão é ter habilidade para isso. Em termos éticos, a hipnose com fins terapêuticos deve ser conduzida por profissionais devidamente habilitados e certificados. Os riscos de procurar pessoas não habilitadas são de perder tempo, dinheiro e confiar aspectos íntimos a “profissionais” não comprometidos eticamente, no que diz respeito à privacidade e integridade do cliente, nem tampouco com investimento no conhecimento.   

 

A hipnose é uma área da Psicologia?

 

Há registros de técnicas hipnóticas desde os egípcios e gregos da Antiguidade, mas a hipnose com esse nome é uma prática que nasceu nos domínios médicos que tentavam compreender a Psicologia. Paradoxalmente, nem é ensinada nos cursos de Psicologia, sendo tarjada como prática superada por Freud. É preciso antes contextualizar. Freud parte de um fascínio por Charcot, aprende a hipnose e ‘descobre’ que há um inconsciente. Começa a praticá-la, mas não se reconhece como um bom hipnotista, como alguém que tenha a habilidade para isso.

Concomitantemente, seu grande desejo era validar a Psicanálise na Medicina. Freud sabia que a hipnose, por seu caráter até então desconhecido e pela dificuldade em validá-la cientificamente naquela época em que a própria ciência era rudimentar, dificultaria o seu caminho. Portanto, por questões políticas e práticas e porque queria desdobrar autoria na Psicanálise abandonou a hipnose sem, contudo, invalidá-la. Em perspectiva, não desvaloriza ipso facto a hipnose, na medida em que sua teoria avança para a transferência, a proposição da livre associação de idéias – uma outra forma de sugestão - e a regra da abstinência como método.

 

 

 

É um excelente coadjuvante para a perda de peso ao trabalhar o motor das compulsões. Mas, repito, não há milagres, é preciso haver engajamento do paciente.

 

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No Whatsapp: (16) 98181-9998

Endereço: Rua José Chediak, 259, Vila Monteiro.

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