Porque a hipnose funciona

May 6, 2018

 

O conceito de neuroplasticidade, isto é, a capacidade que os neurônios têm de fazer novas conexões e, portanto consolidar aprendizados, processo eficaz sobretudo em estados de rebaixamento da consciência, mostra que sim: podemos mudar!

 

No tempo de James Braid, Liébault, Bernheim, Charcot e Freud, para citar alguns dos nomes da história da hipnose, não havia tecnologia para mensuração, nem tampouco validação científica de seus efeitos, que não a própria remissão da sintomatologia, bem como os relatos médicos e de pacientes que a experimentavam como via de tratamento.

 

Esses foram alguns dos principais práticos e estudiosos, - ainda que de forma empírica, mas com alguma produção teórica -, que legitimaram o uso da hipnose em perspectiva clínica e graças às suas contribuições, a técnica sobreviveu na contracorrente do ceticismo e do preconceito.

A partir de meados do século 20, com o advento de aparatos tecnológicos aplicados à Medicina e pesquisa em Psicologia, foi possível estudar mais aprofundadamente a ação hipnótica e seus resultados na mente/cérebro humano por mapeamento topográfico, com a localização anátomo-fisiológica do seu funcionamento e a comprovação irrefutável do funcionamento efetivo da hipnose nos processos cerebrais e psíquicos.

 

Porque então a hipnose funciona?

 

O que temos hoje, de acordo com pesquisas confirmativas da neuroplasticidade no neurofuncionamento cerebral é que a hipnose e a psicoterapia realmente funcionam como abordagem clínica e terapêutica para uma série de disfunções de ordem psicológica e estão diretamente relacionadas à consolidação de memória e, portanto, aprendizagem.
O Sistema Nervoso possui uma importante propriedade de reorganização, que está na base desses processos de memória e de aprendizagem.

 

A intrincada rede neural produz, inclusive, estratégias de reabilitação em casos de perdas estruturais ou funcionais por lesões (algo que Freud, diga-se, já afirmava, a partir de um estudo de caso sobre a afasia, reputando tal funcionamento à esfera do inconsciente em sua relação neuroanatômica; mas, na ausência de aparato de mensuração, naquele tempo, o conceito se restringiu à Psicanálise, sendo, contudo, parcialmente aceito, então, por estudiosos isolados de neurologia e de Psiquiatria e por aqueles que abraçavam a causa psicanalítica). Em hipnose, algumas metabolizações importantes de neurotransmissores são ativadas, fazendo reverter estados como ansiedade, angústia e medo em sensação instantânea de bem-estar.

 

O professor de Psicologia Devin Terhune, da Universidade de Londres é categórico em afirmar que “a hipnose ocorre por meio de complexa interação de fatores neurofisiológicos e psicológicos, (...) e parecem variar subjetivamente. Mas conforme as pesquisas avançam na área, tornou-se claro que o fenômeno (hipnótico) tem o potencial de revelar insights únicos sobre como a mente humana trabalha. Isso inclui aspectos fundamentais da natureza humana, em como nossas crenças afetam a nossa percepção de mundo e como podemos experimentar o controle sobre as nossas ações”.

 

Pense bem

 

Nas últimas décadas, firmou-se o conceito da neuroplasticidade, que é, portanto, a capacidade das células nervosas (neurônios) realizarem novas conexões, de modo a que sejam criados processos que nos permitam formar novas memórias, ou seja, a mente humana possui a capacidade intrínseca de aprender continuamente e, portanto, modificar padrões. Para que uma nova memória de longo prazo se consolide (e a aprendizagem está no campo das memórias de longa duração, aquilo a que os neurocientistas chamam de ‘traços de memória’) é necessária a ativação conjunta de várias áreas cerebrais. Essa ativação articulada e repetida vai criando e reforçando interconexões que, ao se completarem, se transformam em memória permanente. Assim, no encadeamento semelhante ao de um músculo, quanto mais exercitado o cérebro na criação e recriação de conexões, tanto melhor o seu funcionamento.

 

Nesse contexto, quanto mais utilizamos determinados circuitos de pensamento, tanto mais o reforçaremos. Portanto, a ideia do ‘pensar bem’ nada tem de fortuita nem segue somente fundamentada em crenças e preceitos religiosos ou princípios humanísticos (sempre louváveis, diga-se): está cientificamente comprovado que quanto mais pensamos em bem-estar, sentimentos positivos de gratidão, confiança e autoconfiança, respeito etc., tanto mais fortalecemos memórias, sentimentos sensações, criando, assim, conexões definitivas e estabelecendo um mind set (atitude/organização mental) mais propício ao sucesso e ao bem-estar.

 

No contexto da hipnose e da hipnoterapia isso se dá por intermédio de um rebaixamento da esfera racional (com técnicas de indução e aprofundamento ao transe hipnótico), em que a receptividade a sugestões que possam se transformar em ‘aprendizado’ ou ‘ressignificação’ fica significativamente amplificada. Essas sugestões podem ser diretas ou indiretas. No processo Omni de Hipnoterapia, trabalham-se as sugestões diretas (Direct Drive Tecnique ; Boinking; Overload), com a licença da utilização das sugestões indiretas (sobretudo as metáforas) a partir de dados coletados na anamnese ou que apareçam no momento da terapia.

Considerando a tese de Richard Bandler de que a mente não opera por resultados, mas por direções, a hipnose mostra ser a situação mais adequada para que essas direções, em acordo com o paciente e a partir de sua queixa, sejam lançadas, de modo a que funcionem no sentido desejado. Dessa forma, a hipnose pode ser utilizada como uma excelente ferramenta para estabelecimento de mind set, visulaizações, gerenciamento da dor, administração de crenças limitantes/disfuncionais, restituição da funcionalidade psíquica etc.


“Comportamentos e sugestões podem alterar a morfologia e a função do sistema nervoso e vice-versa. A hipnose pode ser usada para amplificar habilidades, conceitos, reforçar e transformar crenças. Nesse sentido, a hipnose associada ao conceito de neuroplasticidade pode se tornar uma ferramenta ainda mais potente. O reforçar de circuitarias positivas e o sistema de crenças, associado a uma ferramenta que diminui a racionalidade, aumentam a capacidade dedutiva e a visualização”, ratifica a psiquiatra e precursora da hipnoterapia no Brasil, Sofia Bauer, em seu livro “Hipnoterapia Avançada e Técnicas Psicossensoriais”, (Wak Editora).

 

Essa plasticidade, que por fim, consiste na forma de o nosso cérebro agir e reagir adaptativamente ou não, criando novas habilidades ou até mesmo novas maneiras de pensar, demonstra o poder que a mente tem de transformar, de maneira permanente ou pelo menos prolongada, as suas cognições, de modificar os seus padrões. O que a Neurociência explica definitivamente é que estamos aparelhados para a mudança, e, se é o nosso cérebro/mente é capaz de construir um problema, é também capaz de buscar a sua solução. Então, sim, podemos mudar e a hipnoterapia é uma grande aliada nesse processo.

 

 

 

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